CATARINA EMÍLIA, A AUTÊNTICA PRIMOGÊNITA.
Como era esperado, deveria ter sido e de fato se deu, ela desencadeou a linhagem da nossa abençoada família em grande estilo.
Na gravidez da mãe foi tudo tranquilo, mas no intercorrente parto ela já se distinguiu, chegou causando numa boa, talvez querendo dizer: gente, cheguei, sintam-se todos felizes.
E foi exatamente assim: casa cheia todo o tempo, visitantes de montão, parentes a rodo de longe, muitos amigos de perto, extensa romaria de festa e de alegria atraída pelo brilho que ela já irradiava, vindo do imenso carisma materno e de algumas pitadas genéticas minhas.
A bebedeira do mijo começou no dia da saída da maternidade e durou semanas, nem resguardo houve porque a fama da magistral quituteira paraibana já tinha se alastrado pela capital de Sergipe del Rey, a linda e acolhedora Aracaju.
Daqueles dias e noites adentro, até hoje vejo profusos sinais divinos que desde lá anunciavam ter nascido de nós uma pessoa iluminada, o marco primeiro de uma verdadeira e plena família cristã que sonhamos e queremos ser.
No nome da filha, Margareth - com indisfarçável benquerença e justo afinco às raízes - homenageou a Tia Tita, que vi umas poucas vezes em Natuba e de quem retenho na memória a marcante figura e os expressivos olhos.
Do meu lado, acho que ela tem muito de minha saudosa irmã Ruth: é expansiva, do tipo que é notada logo na chegada, que nunca passa despercebida onde está e que enche o espaço até então ávido por ser ocupado por alguém habilitado e disposto.
Catarina Emília estreou e segue do jeito que sempre foi: atraente, dada, agregadora.
Fosse alguém da querida tropa de Leninha e Batista, de Ivan e Concita, de Elba e "Frei" Beto ou dos incontáveis convivas chegados a nós, era a mesma simpatia e carinho: não importava a patente, a titularidade ou outro adereço da besta vaidade humana, ela vivia de braço em braço no meio deles, convergindo a partilha de tantos inesquecíveis momentos na terra natal dela, também nossa, por grata afinidade.
Foi igual em Saarbrücken, no mês da aclimatação nossa no sudoeste da Alemanha, fronteira com a França, para onde iam alunos-bolsistas desse mundão inteiro, que à época parecia ser ainda bem maior.
Bastava a gente entrar no refeitório coletivo do hotel-albergue que colegas europeus, latinos, asiáticos, africanos ou sei lá-de-onde logo tomavam ela de nós e a faziam passar de mão em mão, como se fosse um emblemático troféu daquele caloroso e indescritível caleidoscópio humano.
A brasileirinha, a única criança ali, mitigava a saudade da família deles que não viera junto, alguns se emocionavam só de vê-la porque nela tinham retratada a Maria, a Samira, a Raquel ou a Aisha que deixaram com a mãe em casa, enquanto eu e Margareth nada podíamos fazer senão dividir com todos nossa pequenina mascote.
Até os gélidos anfitriões germânicos se derretiam com o contagiante sorriso, o cativante olhar e a aura luminosa da "lourinha bela dos trópicos", eu conseguia fácil receptivas portas, corações rápido amoleciam e do nada a generosidade vinha quando eu levava ela em alguma reunião, visita ou encontro em Bremen.
Nunca foi calada, nem mesmo nas primeiras letras alemãs, à volta de um ano de idade: que o diga nossa inesquecível anjo-da-guarda da longínqua Waldbüttelbrunn, um lugarzinho perdido que virou nosso porto seguro. Lá, aquela mulher, Helene, mais aquele vilarejo com nome de fonte são testemunhas da precocidade da nossa falante pequerrucha.
As rosadas bochechas de Frau Brich não escondiam o riso surpreso quando Catarina Emília construía frases difíceis no idioma deles e uma vez ruborizaram de todo quando a rechonchuda franca soltou uma sutil bufa na sala e foi inocentemente denunciada em perfeito alemão: "Frau Brich hat gefurzt", disse nossa filha na frente de todos.
Opinativa, veemente e assertiva são atributos notáveis de cara, foram mantidos quase intactos, o tempo não os empalideceu nela; talvez tenham sido eles levemente domados na personalidade dela com a maturidade que vem chegando, sem perda da autenticidade, da força e da espontaneidade, graças a Deus.
Desapegada, jamais caberia ela no molde do crítico direito preferencial a herança de qualquer tipo ou sequer teria ela o mínimo desejo de posse exclusiva de nada, coisas típicas da progenitura distorcida, equivocada ou doentia, que traz cizânia, desconfiança e ciumeira, como se vê cada vez mais por aí.
Ao contrário, generosa e emotiva, ela é daquelas que sofrem e choram solidariamente, mas vão à luta sem medo, desafiam adversidades de frente e têm coragem de sobra para o que der e vier adiante na vida.
Por isso, meninota, era o xodó; adolescente, virou referência festiva, da Praia do Poço, em João Pessoa, à Asa Norte, em Brasília; adulta, nunca recusa convite da turma, nem do trampo, nem da igreja, nem da farra.
É assim até hoje, eu sei, sabemos todos.
Não falei tudo, nem de longe o suficiente, mas vou ter de suspender o descritivo e retomar a narrativa outro dia, tentar completar o que falta, porque já é quase noitinha, os Peganynguem vão invadir a área de lazer de nossa casa daqui a pouco e o churrasco não vai ter hora para acabar.
SALVE 23 DE ABRIL DE 2016. QUE DEUS E SÃO JORGE TE PROTEJAM SEMPRE.
PARABÉNS, QUERIDA FILHA CATARINA EMÍLIA: VIDA, PAZ, AMOR, SUCESSO.

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