Calma, pessoal, a manchete não foi tirada de qualquer veículo
da prestigiada imprensa mundial, não houve registro em tabloides
sensacionalistas marrons, nenhum blogueiro irresponsável inventou essa notícia
e não há sequer necessidade de se investigar nada a respeito, nem pela Polícia
Federal, nem pelo FBI e nem pela National Security Agency, a famigerada NSA, que Edward Snowden tenta detonar
(sob evidente risco de ele mesmo vir a sê-lo, como diria aquele Jânio, o da
Vassoura).
Por saber que a comunidade internacional de
investidores vive antenada todo o tempo, fui cauteloso, deixei para divulgar a matéria
depois da conclusão dos pregões do dia e do encerramento do expediente bancário, sem
prazo hábil para convocação extraordinária do Federal Reserve, nos EUA, ou do
Comitê de Política Monetária do Banco Central, no Brasil, buscando manter
estável até o eixo de gravidade terreno, enquanto a noite se ocidentalizava totalmente.
Explico melhor. Na verdade, foi só uma brincadeirinha
que começou dias atrás e quase se expandiu como fogo de palheiro nas mídias
sociais, não tivesse circulada em âmbito restrito a amigos e familiares, o que
felizmente me livrou de algum delegado excessivamente rigoroso, promotor zeloso demais ou jornalista bem maldoso distorcer,
amplificar ou sensacionalizar o ocorrido, a troco de notoriedade, como às vezes
se dá.
Eis que - precisamente em 19 de novembro - postei nas mídias sociais
breve comentário, meio despretensioso, mas em tom de carinhosa provocação a
casais muito queridos (atenção Denise e Carlos, vou cobrar, oportunamente),
dizendo: "Estou no terraço da Casa de Brasília,
balançando na rede com meu netinho Cauê, que dorme solto. Alguém sabe calcular
quanto é isso na Bolsa de Valores do Mundo dos Avós?"
Não foi surpresa a quantidade de respostas postadas em
seguida, que agora transcrevo, data vênia dos manifestantes.
Minha amiga, obstetra e avó Eugênia Moura, reagiu
logo: “sem preço, cotação elevadíssima, impagável”, disse ela, sorrindo, lá de muito longe, de Roraima, de onde vieram abraços saudosos de outra boa amiga, Gel
Nascimento. Meu colega de turma da PUC RIO, Luis Oliveira e Silva (o CAP 3 faz
já-já 40 anos, é mole?), lascou no
inglês: “priceless”. A avó de Cauê,
Dodora, mãe de Kenia (esposa de Andreas Cauê, o pai), completou que "não tem
preço, mas traz bastante felicidades”; minha prima Jô Souza falou "é
incalculável”, as conterrâneas Mônica Pinto (a linda Aracaju está quase tomando
ela dos pessoenses) disse que é "imensurável" e Ângela Araujo (da Dinastia do
Recanto do Picuí, a melhor carne de sol do mundo) chamou de "tesouro", enquanto nossa
amiga brasiliense Lívia Maíra se dirigiu a mim carinhosamente como avô-coruja, porque
“tenho um neto gostoso” e Maurilinho Medeiros, o Rei da Fava, desejou “alegria,
saúde e sucesso”, é pouco?
Tanto não era pouco que fui forçado a dizer àquela altura da coisa que o pregão de ações desse tipo sempre dispara adoidado, pois cota os lances em
moedas universais, o amor, o carinho e a felicidade, quer mais?
Sim, muita gente quis mais, veio mais repercussão. As
amigas Sílvia Reis e Keyse Siqueira afirmaram que “não tem preço nenhum”,
igualzinho às sobrinhas Paula Cabral (a data do casório é aguardada) e Roberta
Magalhães (intimada a levar o filho na Casa da Praia do Poço), a Rangel Souza
(saudades recifenses), à prima Roberta Montenegro (Doutora, como está seu pai?)
e às cunhadas Raquel Cabral (quem casa primeiro, Thomas ou Yuri?) e Dulce
Magalhães, que ainda completou: “é um investimento incalculável, porque envolve
uma moeda forte chamada Amor”. Quem sou eu para duvidar? Muito menos após o
amigo José Marcos Farias dizer que se trata de “valores infinitesimais, pois o
amor dos avós transcende a qualquer paixão”.
Realmente, é legítimo associar a circunstância de se
ter neto à sensação de felicidade, como registrou Virlanda Diniz (a todos nós
Deus abençoe, amiga) e Rafael Batista (que ainda não é avô), ou provar que são "incalculáveis
esses momentos únicos" com filhos de filhos, demonstrar que "eles valem tanto
quanto a Monalisa", não é Nailde Helena? É tão fácil o vinculo entre ser feliz e
ter neto que meu querido ex-aluno boavistense, Rudson Leite, repaginou o indicador
de Felicidade Interna Bruta, o FIB, da Organização das Nações Unidas (ONU), com
a concordância do ex-baiano (será?), meu amigo Gustavo Abreu, que escalou o
Monte Roraima e me deixou invejoso numa boa.
Mas - como felicidade é coisa que se calcula de dentro
para fora, olhando acima, onde está o referencial divino que tudo norteia - eu
discordei levemente dos dois. Para mim, a sigla deveria ser IFP - Índice de Felicidade Pessoal, restrito,
individual e específico, porque se a ONU conseguisse somar as parcelas (ainda que contemplasse apenas alguns avós por aí
afora), o montante convertido em dinheiro transbordaria os cofres dos bancos
mundiais
, pois aplicações feitas em moedas cunhadas no coração (que
lastreia o amor, a verdadeira língua dos homens, como diz a Bíblia) são tão
rentáveis que nem bancos suíços têm coragem de estimar um prêmio de seguro
correspondente.
Ora, se a mansidão de Boahil Mendes batiza
de "pura magia" instantes junto de netos, se a mineirice de Eleuni Melo (amigo, também não achei a fórmula e estou vivendo tudo de perto) chama de "desafio saber a dimensão do tesouro", se a sabedoria carioca de Eloá Braga Pierre (estou
aproveitando os momentos com os netos, viu?) diz que "o retorno do investimento
aparece depressa no prazer, no sorriso e no brilho dos olhos", se Socorro Lima
(com as bençãos sertanejas de Santa Luzia) afirma que "curtir netos é viver bem
a vida" (apoiada por minha irmã Rosemary, que a filha Stephanie insinua estar
querendo ser avó) e se a querida amiga maranhense Marlene Sá (Salve a Baixada, em
todos os sentidos) calcula que "dinheiro algum paga esse maravilhoso sentimento",
fui me convencendo naturalmente e depressa de que ser avô não tem custo e –
consequentemente - não tem preço.
Para completar, meu
sobrinho Agenor Cabral (Agenor Natuba, de uns tempos para cá) diz "ter fé em
realizar o sonho de ser avô", o poeta Cícero Melo antecipou que o "será neste dezembro" (queira Deus tenha chegado saudável a descendência e que a resposta prometida a
mim em versos venha logo), Iremar Marinho avisou que "já tem quatro netos" e eu
informei que tenho por enquanto três príncipes (Ian, Jean e Cauê), uma princesa
(Anne Margareth) e a segunda neta a caminho, a princesa Isadora (vai
ser a primeira com esse nome?).
No fim, quando o casal
Leandro e Simone enviou mensagem apontando que "tudo valia mais do que Eike
Batista sonhou em ganhar", eu - apesar de achar que o falido empresário torou na
emenda, diferente de netos, que são para sempre, graças a Deus - vi claros os indicativos de que o sistema financeiro
mundial iria mesmo se espatifar rodopiando na incontrolável ciranda, tamanho
era o impacto, nela, do valor, fortuna, botija, relíquia, achado, desse pote de ouro no fim
do arco-íris: os netos, de todos os avós, não só os meus.
Portanto, mantendo a prudência devida, antes que me esqueça ou seja mais uma vez
cobrado pela imperdoável falha original, publiquei junto o instantâneo nosso (meu e do netinho Cauê) dormindo na rede, a prova documental de que o título desta postagem se justifica, pois-pois. Além disso, para não incorrer em crime nenhum nem deixar margem para amigos e
parentes acharem que enlouqueci a ponto de atirar pedra na lua, proponho e
solicito preventivamente que – na hipótese de alguém questionar a divulgação
inicial feita, entrar com ação na justiça ou simplesmente querer me
desacreditar na família ou em círculos próximos
das mídias sociais – retifiquem a manchete para:
BOLSA NOVA-IORQUINA QUEBRA DE NOVO E BANCARROTA
INTERNACIONAL SE ALASTRA IGUAL TSUNAMI DEVIDO A IMAGINÁRIO TÍTULO ESPECULATIVO
LANÇADO NO MERCADO POR AVÔ BOBÃO, DE CORAÇÃO MOLE E MENTE FÉRTIL.




