A propósito de recente postagem feita pelo meu filósofo preferido, o querido amigo Luiz Oliveira e Silva, que - mais uma vez ousou tentar esclarecer nas mídias cibernéticas a nossa cotidiana bagunça institucional - larguei minha besta, simplória e linear rotina diária, resolvi incursionar no complexo, hermético e desalmado mundo dos rentistas e tomei a liberdade de me manifestar sobre o troncho status quo da vida nacional, tomando emprestado dos cambistas a esfíngica linguagem, incorporando a deliberadamente confusa lógica dos investidores e usando o sempre eficiente e reconhecidamente perverso sofisma dos acionistas de bolsas com perfis comportamentais que mais se aproximam de punguistas à procura de desavisados, ingênuos ou otarios bolsos alheios.
O insolvente déficit civilizatório brasileiro referido é astronômico, com expressivo viés de alta, e, por consequência, tendente a cumulativo: provavelmente, assumirá volume irrecuperável, se for mantido o atual ritmo de inserção cidadã, que é de lento compasso, baixíssima produtividade e desastrosa efetividade, porque se lastreia em falsas premissas secularmente repetidas e flutua ao sabor da manipulação comandada por escusos interesses estrangeiros em conluio com idiotas elites autóctones que até hoje insistem na manutenção da desumana equação composta por commodities sem valor agregado, uma matriz unicamente solúvel por meio da educação, este luminoso vetor de incalculáveis efeitos benéficos, ora despotencializado, quiçá inativo.
Por associação, deduz-se que o irreparável dano político já causado com as perdas sociais tupiniquins não é meramente conjuntural.
Abstraídos ou isolados até mesmo todos os conhecidos atributos de recorrência e de sazonalizade, ele revela tanto a vulnerabilidade sistêmica do país quanto a presença de fatores estruturais negativos que o transformaram em derivativo nitidamente não prudencial, porquanto contaminado por elevada taxa de risco democrático.
Assim, pode-se afirmar com certo grau de previsibilidade que o nosso mercado republicano interno apresenta inquestionável contorno volátil, cuja confiabilidade institucional endógena parece severamente comprometida no curto prazo, a recomendar - em nome da elementar governança explícita da nação - emergencial intervenção direta, sob pena de inevitável desagregação federativa intrínseca e de intensificação popular das já bem acentuadas tensões conflituosas existentes nas disputas entre estratos econômicos da histórica frágil textura da nossa sociedade.
Ou seja: previna-se, proteja-se, feche-se, porque a trolha está vindo aí e, para além disso, tudo é colapso absoluto, nada mais se poderá fazer, afinal.
Um último aviso a quem não prestou devida atenção ao dito ou se embotou no entendimento da coisa: essa não é uma minuta de ata da próxima reunião do COPOM, nem resumo preliminar da nova edição do Boletim do BACEN.
Trata-se tão somente de uma reflexão insone, lavrada sob garantia de total ausência de influência etílica, um pretenso testemunho analítico deste observador pouco sintético, nada minimalista e muito verborrágico.
A todos deseja-se uma boa noite, uma tranquila madrugada ou um calmo raiar de dia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário