CITY-TOUR BRASÍLIA 290319
Querido Andrew,
Apesar do insuficiente tempo para visitar e da impossibilidade de acessar alguns locais, espero que tenha gostado do nosso roteiro pelos monumentos e sítios históricos, nos emblemáticos pontos turísticos de Brasília que você ainda não conhecia.
É verdade, não houve chance de degustar as decantadas matizes dos céus do por do sol de Brasília, mas o generoso clima pouco nublado e sem chuva ao menos nos presenteou a ofuscante luminosidade, a exuberância das árvores e das plantas nos jardins do paisagista Burle Marx, na Praça dos Cristais, por exemplo.
O longo percurso demonstra porque o brasiliense é feito de “cabeça, tronco e rodas”, ele exibe as tantas sinuosidades e as muitas tesourinhas, balões, trevos, viadutos e túneis, a lógica peculiar das fáceis e criativas soluções urbanísticas de Lúcio Costa, que tentam driblar cruzamentos e semáforos que nos impôs o superpovoamento para além do planejado.
Nunca me cansa rever as deslumbrantes paisagens únicas daqui, as largas e extensas avenidas, a amplitude quase infinita dos verdes, a mansidão das volumosas águas represadas: ao contrário, alegra-me renovar o meu encanto com a esplendorosa grandiosidade contraposta à simplicidade dos detalhes imperceptíveis.
Aqui, é impossível não se impressionar com a complexa originalidade da composição das formas geométricas inesperadas, o paradoxo das curvas e retas, dos cantos e dos ângulos, os inúmeros simbolismos intrínsecos, ora sútil e disfarçado, ora explícito e chocante.
Sobretudo a modernidade da arquitetura fez de Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade, ela nos orgulha.
Mais do que desafiar os cálculos estruturais e a capacidade de execução de obras dos engenheiros nas colunas de sustentação ausentes, a genialidade de Oscar Niemeyer traduz (na dureza do concreto) – com magistral sensibilidade e pura delicadeza – coisas lindas, típicas e exóticas do cerrado brasileiro, como a flor no design da Torre Digital.
Tenho muito prazer em relembrar e compartilhar com quem nos visita algumas das passagens da saga de Brasília, da ocupação, da conquista e da interiorização do Brasil.
Sei que percebeu a diversidade do nosso modo de viver e de morar aqui: na periferia do Itapoã e do Paranoá (o Terceiro Mundo), na W3 e nas Superquadras do Plano Piloto (o Segundo Mundo) e nas embaixadas, na Península dos Ministros, nas residências e nos bem cuidados lugares do Lago Sul (o Primeiro Mundo).
A religiosidade inspiradora de Brasília salta aos olhos, toca o coração, acalma o espírito e eleva a alma nos coloridos vitrais da Dom Bosco, nos tocantes azulejos de Athos Bulcão na Igrejinha e na visionária percepção da Terra Prometida a jorrar leite e mel entre os paralelos 15 e 20 que vimos na Ermida Dom Bosco.
PS: se der, vá ao Templo da Boa Vontade, receba lá e leve consigo a piramidal energia cósmica de Brasília, que o traga de volta, em breve, se Deus quiser.


Dear Andrew,
Despite insufficient time to go inside and the impossibility of accessing some places, I hope you enjoyed our itinerary visiting monuments and historical sites, as well emblematic sights of Brasilia that you didn’t know yet.
True, there was no chance of tasting the decanted hues of Brasilia’s sunset skies, but the generous rain-less weather gave us at least the dazzling luminosity, the exuberance of trees and plants in the gardens of landscaper Burle Marx, at Crystal Square, for instante.
The long route shows why Brasiliense is made of “head, trunk and wheels”, it exhibits the huge sinuosities and the many little treasures, balloons, clovers, viaducts and tunnels, the peculiar logic of the easy and creative urbanistic solutions of Lúcio Costa, trying to dribble intersections and traffic lights so imposed to us coming from overpopulation beyond planned.
I never tire of seeing the unique landscapes, the broad and wide avenues, the almost infinite range of greens, the meekness of the massive dammed waters: contrary, I am so glad to renew my eyes with the splendorous grandeur contrasted with the simplicity of the imperceptible details.
It’s impossible not to be impressed by the complex originality, the composition of unexpected geometric forms, the paradox of curves and lines, of corners and angles, of innumerable intrinsic symbolisms, sometimes subtle and disguised, now explicit and shocking.
Above all, the modernity of architecture has made Brasilia Cultural Heritage of Humanity: we do are proud.
More than challenging structural calculations and the ability to execute engineers’ works on the missing support columns, Oscar Niemeyer’s genius translates (in the toughness of concrete) – with masterful sensitivity and pure delicacy – beautiful, typical, and exotic things of the Brazilian Cerrado, as the natural flower in the design of the Digital Tower.
I am very happy to remember and share with those who visit us some of the passages of the Brasilia saga, the occupation, the conquest and the interiorization of Brazil.
I know you noticed the diversity of our way of living here: on the outskirts of Itapoã and Paranoá (the Third World), the W3 and the Superquadras of the Pilot Plan (the Second World) and in the Embassy Sector, in the Península dos Ministros (authorities or officials residences), in the houses and in the well-kept places of the South Lake (the First World).
The inspiring religiosity of Brasília jumps to the eye, touches the heart, calms the spirit and raises the soul in the colorful stained glass at Dom Bosco Church, in the touching tiles of Athos Bulcão at Igrejinha and in the visionary perception of the Promised Land (where milk and honey emerges) between parallels 15 and 20 that we saw at Hermitage of Dom Bosco.
PS: If possible, I recommend you to go to the Temple of Good Will, receive there and take with you the pyramidal cosmic energy of Brasília, that will bring you back, God willing
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