
O governo enviou uma ruidosa proposição legislativa inspirada em promessa de campanha ao Congresso Nacional, que a misturou com outras (já em andamento) contemplando os mesmos temas e produziu um texto final com naturais ajustes e/ou inclusões, coisa bem típica do intrincado e às vezes ininteligível processo legislativo.
Depois do férreo embate nada subliminar de alguns hiper-egos jurídicos superiores, dos muitos testes requeridos de paternidade com vários candidatos querendo assumir a autoria do tal rebento nobre e famoso ou das tortuosas e senodais idas e vindas nas câmaras baixa e alta, o Presidente da República sancionou a lei e vetou mais de 20 itens dela, mas contrariou e não acatou uma das explícitas recomendações do próprio Ministro da Justiça dele, que se manteve adiante fazendo “(in)compatíveis” comentários públicos e/ou em redes sociais, “criticando” a decisão do mandatário maior, que já está valendo e tem prazo de trinta dias para ser operacionalizada.
A pergunta que não quer calar é: e aí, o quê vai acontecer?
Como é final de ano, o réveillon baiano de sol a pino já começou de vento em popa e o retorno dos brasilienses à normalidade da capital só virá junto com os “estrelados” reis magos, de nada adiantará a insistência especulativa de palpiteiros da mídia de plantão sem assunto, porque a banca está aceitando agora somente apostas para o sorteio da Mega-Sena da Virada.
Para quem não alimenta o pretensioso sonho de entrar milionário em 2020, tanto faz jogar búzios da sorte mirando na suprema vaga togada quanto na vice que eleva a popularidade da dupla, se ela não morrer antes.
Enquanto isso, no terceiro vértice da praça, onde parte do jogo terá campo, as sempre entreabertas portas do protocolo já estão recebendo ajuizamentos mais do que esperados, vindos de partidos políticos e de entidades da magistratura, o que torna a implementação de tudo ainda menos determinística, se é cabível a palavra nas hostes dos atapetados tribunais.
Pensando em 2020, parece que melhor mesmo é torcer para que não surja mais uma confusão turbulenta por aí capaz de gerar incerteza adicional e trazer mais riscos à aceleração de decolagem iniciada, que, Deus queira, ajude a amansar e domar a teimosa desigualdade social.
De minha parte, mantendo a crença otimista, vou arriscar uns números na loteria, já que “a fé não costuma faiar”, disse – no popular – o ilustre cancioneiro.
Probabilisticamente falando, em tempos tão trevosos, acho mais fácil acertar aqui.

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