
a) redução da quantidade de novos casos ao menos por duas semanas consecutivas;
b) capacidade da unidade federativa para rastrear as pessoas de contato de cada novo caso que surja;
c) disponibilização de teste de diagnóstico para todas as pessoas com sintomas;
d) capacidade do sistema de saúde para tratar todos os pacientes, não apenas os que tenham COVID-19.
O que a regra de ouro no item “D” se refere é ao tratamento emergencial, a UTI, ao ambiente de atendimento crítico não apenas da COVID 19.
Essa abrangência vai muito além dos respiradores artificiais, que podem ser utilizados em outros ambientes de atendimento prévio, que não a UTI, inclusive até em salas de observação e/ou de monitoramento em UPAs, por exemplo, quando o paciente não está entubado e/ou instável.
Se o isolamento social não for adotado e/ou se for flexibilizado sem respeitar essa condicionante objetiva, o que vai ocorrer é a avalanche de pacientes do coronavírus colapsando o sistema de saúde, como já está ocorrendo em algumas cidades.
É o modelo da Teoria das Restrições.
Nestas condições, se terá de lançar mão de todas as UTIs, que – em consequência – poderão faltar para outros atendimentos emergenciais, como, por exemplo, enfartados, situação caótica já registrada.
É a Matriz GUT (G de gravidade, U de urgência, T de tendência) aplicada na prática: qual paciente é prioritário, dentre os que já estiverem precisando de UTI.
Portanto, se não houver UTI suficiente nem para atendimento de pacientes de Covid 19, o sistema de saúde (equipes de resgate e socorro emergencial, enfermeiros e médicos, principalmente intensivistas) poderão não conseguir sequer ver os demais pacientes também em situação crítica.
É a dramática Escolha de Sofia: quem vai ser atendido ou não.
As estatísticas nem de longe capturam essa triste realidade, agravada pelo crescimento de registros dos óbitos domésticos.
Enfim, no curtíssimo prazo, o desafio é o funil, o gargalo da UTI.

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