segunda-feira, 30 de março de 2020

A COVID 19 E O BRUTAL CHOQUE DE REALIDADE

Em menos de um mês, a expansão desenfreada do coronavírus mundo afora vem transformando em pó a autossuficiência de governantes que até então eram julgados acima de tudo e de todos, sem pingo de humildade.

Foi só os casos de contaminação começarem a surgir, que a desavergonhada soberba se esfarelou quase na mesma proporção, destruindo junto a bravata até então exibida sem parcimônia nem pudor.

A partir do momento em que a curva da quantidade de infectados empinou para cima, a ignorância teve de se render à ciência, o negacionismo foi atropelado pelos fatos, o diversionismo teve de encarar a concretude e a empáfia nem rastro deixou pelo caminho.

Quando as internações começaram a crescer assustadoramente e as vagas de UTI foram sendo ocupadas junto com os escassos respiradores disponíveis, a arrogância despudorada murchou e fez nascer a forceps uns sopros de lucidez em quem a tinha perdido por completo, há tempos ou ontem, por motivos rasos, pessoais, ideológicos, políticos e/ou eleitorais.

Por fim, infelizmente, ao estridente som do choro da família dos mortos sepultados ou cremados sem despedida, a prepotência foi de público humilhada, máscaras caíram, disfarces foram arrancados, a nudez chegou ao reinado e de muitos foi manchada talvez para sempre a biografia, a imagem, a reputação, a credibilidade.

Então, antes que surja algum simplório de plantão a dizer que tudo um dia morre, celebremos todos – mesmo que assustados ou tristes, mas com humanismo, fraternidade, esperança, amor ao próximo, solidariedade e fé – “a vida como ela é”, graças a Deus.

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