Profissionais da área, governos, ministério, secretarias estaduais e municipais, entidades corporativas, políticos de todo lugar e - principalmente - o povo, todos, enfim, há muito tempo conhecem as carências da saúde pública brasileira, os responsáveis diretos e os que sempre tiveram poder para resolver o que era urgente nada ou pouco fizeram de proveitoso nem para a sociedade como um todo nem para os mais carentes em particular; ao contrário, empurraram a porcaria adiante sabe-se lá para quem, engavetaram anos a fio propostas de solução que impunham alocação de recursos, montaram estruturas robustas só para abrigar cargos como instrumentos de barganha e tráfico de influência patrimonialista em torno do orçamento oficial, transformaram o exercício da medicina em negócio bilionário tipo catraca que só deixa entrar quem pode pagar.
Quando a tampa da panela voou nos recentes protestos de rua, a classe média e os mais esclarecidos de todos os estratos sociais jogaram na mídia a prioridade esquecida por quem agora quer ser espertamente dela patrocinador, porta-voz ou beneficiário, um monte de gente oportunista que nunca exerceu a profissão como sacerdócio, boa parte deles paladinos ardorosos na defesa apenas de seus próprios, inconfessáveis desejos pessoais, quilômetros de distância separados das demandas dos pobres, mas muito íntimos do capital, das indústrias hospitalar e farmacêutica e da medicina de grupo, ou da cega ideologia partidária, do poder em si mesmo, ambos a postos pertinho dos insumos (do lado que consome grana) e afastados dos usuários do serviço (estigmatizados por serem o problema).
Lá há vários dos que têm interesse corporativo na reserva de mercado e vomitam na mídia argumentos que ridicularizam a capacidade de entendimento da população, cá existem muitos outros de olho nas urnas, no voto de eleitores de consciência sempre manipulada por motes de campanhas ardilosamente construídas por publicitários de contas recheadas de dinheiro oficial. Aqui e acolá, só cabem apupos.
Felizmente, no meio da turma do jaleco branco não faltam pessoas decentes, profissionais de respeito, vidas inteiras dedicadas a salvar outras vidas, exemplos de amor ao trabalho, paradigmas para a família, amigos e pacientes. Palmas para eles, que voltem a ser maioria, um dia, em breve, se Deus quiser.
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