domingo, 25 de agosto de 2013

IAN FLEMING VAI IRROMPER POSSESSO DA TUMBA PARA CRIAR NOVO 007 QUE NÃO ENVERGONHE SUA ALTEZA REAL


O brasileiro Miranda (ironicamente David) desembarcou no aeroporto como se tivesse entrado de gaiato num navio da destemperada, preconceituosa e arrogante frota inglesa, foi deliberamente alçado a desafiante do super-poderoso Golias britânico, mas acabou por jogar no ventilador a hipocrisia das relações internacionais, escancarando de vez  absurdos critérios dos tempos colonialistas ainda hoje vigentes no dito primeiro mundo.
Pior de tudo, é constatar que, de fato, velhas civilizações, tão orgulhosas do propalado conhecimento que dizem ter por séculos acumulado e que países rotulados como civilizados praticam injustificados atos desumanos costumeiramente condenados por eles mesmos em foros internacionais, sob luzes da mídia, enquanto nos bastidores seus agentes estatais se arvoram de supostos paladinos da justiça deles mesmo sob direitos que não possuem nem são reconhecidos universalmente e tratam cidadãos estrangeiros de pronto como potenciais inimigos.
Se sob a égide de combate ao terrorismo mundial, ao extremismo político e ao fundamentalismo religioso alguma autoridade de qualquer lugar se concede a si própria a prerrogativa de deter quem quer que seja, parece se estar a voltar àqueles momentos de tristes lembranças quando até o tráfico de escravos institucionalizado e sob bandeira oficial alguém tentava justificar sob alegação de interesse econômico maior.
A detenção de David Miranda enodoa e ridiculariza a reputação da polícia de Sua Alteza Real, mas - sem minimizar o imperdoável episódio ou envolvê-lo em panos quentes da tíbia diplomacia - resta dizer que ele teve foi muita sorte, felizmente a família dele e nós o temos vivo para ouvi-lo falar a respeito, o que não ocorreu com Jean Charles de Menezes (que Deus o tenha,  que a gente não se esqueça), estupidamente morto por ter sido confundido com terrorista, segundo a versão deles lá.

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