sábado, 5 de outubro de 2013

FOME MORIBUNDA, PROGRAMA INCÓGNITO


Ninguém em sã consciência e fora das cegas paixões partidárias se recusaria a aplaudir a notícia veiculada mundo afora dando conta de que 10 milhões (em 1992 eram quase 23 milhões, em 2013 menos de 14 milhões) de brasileiros deixaram de passar fome, em números redondos. Qualquer contribuinte pessoa física ou jurídica certamente não se manifestaria contrário à ideia de que impostos pagos sejam transferidos como renda a quem tem nenhuma chance de ganhar algo com seu próprio trabalho, circunstancialmente, de uma hora para outra. Simplesmente, é fato, há um estoque histórico de miséria e de pobreza que vem diminuindo há anos, está bem perto de acabar, dizem as estatísticas, antes do prazo compromissado, que era 2015.
É certo, políticas públicas distintas, programas governamentais vários e muita grana do orçamento oficial são a chave-mestra que travou a sangria desumana responsável pelo vicioso ciclo derivado da ignorância, do analfabetismo ou da insuficiente capacitação; foi, sim, essa baba pingada mês a mês que abriu a multidões as portas de biroscas de comida, que deu acesso a muita família às prateleiras de supermercados e que até fez gente entrar em shopping-centers, romper a barreira das vitrines e chegar no caixa da loja pagando coisa comprada.
Nesta seara que é irrigada pela semente da solidariedade, pela percepção de que o bem comum tem prioridade sobre o patrimônio do indivíduo e pela perspectiva de que a riqueza precisa ter caráter social, dúvida não há, a constância de propósitos anos a fio é fator crítico de sucesso, pois subordina os salamaleques políticos e eleitorais aos impactos positivos que os benefícios trazem às pessoas, impede que quem quer que seja meta o bedelho publicamente em desfavor, reduz a chance de que a sempre perversa descontinuidade sepulte boas iniciativas simplesmente porque vieram de outros; se é bom, tem de seguir em frente, ser mantido, ainda que efeitos colaterais danosos surjam onde exista desonestidade tão canalha a ponto de desviar o dinheirinho ao próprio bolso ou mesmo que o proselitismo mais deslavado tente se apropriar como se lhe pertencesse o que é pago pela sociedade toda.
Está bem, valeu demais até agora, o Brasil disso se orgulha.
Então, se a meta de redução de pobreza foi alcançada, a exponencial curva de beneficiados deve ter um ponto de inflexão e deve passar a ter trajetória descendente compatível, a partir de algum momento que não pode ser indefinido, ora.

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