
Ao lado de – por exemplo – evangélicos, maçons, indicados do núcleo familiar, simpatizantes do neoliberalismo e/ou do conservadorismo, egressos de dentro ou oriundos da iniciativa privada, gente escolhida predominantemente pela origem ou pelo vínculo regional ou estadual, pessoal da segurança pública e consultores legislativos, já foi dito aqui que um dos principais estamentos do poder no governo JB é composto por militares das forças armadas.
Ao se aproximar dos três mil graduados de patente pulverizados numa centena de órgãos públicos na estrutura central (mais aqui) e nos seus repliques federativos, a presença dos militares no governo nessa ordem de grandeza sobretudo dimensiona um indicador quantitativo de importância inequívoca e revela o perfil sistêmico da metodologia de ocupação dos espaços.
A presença seletiva deles no núcleo palaciano e nos postos estratégicos espalhados por ministérios e por derivativos da administração (in)direta, autárquica, fundacional ou estatal – para além de ser um indicador qualitativo de relevância intrínseca dos militares no processo decisório – pode assumir certos ares interpretativos de mecanismo de tutela.
Como – dentre eles – há gente pertencente a conjuntos inter-seccionados de prestígio, de força e de atuação simultânea, essas situações fáticas parecem apontar a existência de um estranho misto de dois modelos organizacionais clássicos:
a) o orbital, que teleguia satélites a partir do painel de bordo da nave-mãe; e
b) o tentacular, que opera como polvo.
Não se trata de juízo de valor, é uma constatação superficial, a conferir adiante, conforme evoluem os fatos.

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